1Abc Directory The Style Culture

28/07/15

Fabian Ciraolo: mas nem tanto.

Não existe arte sem demanda.
É claro que existe a questão do público alvo etc e blablabla. Porém, vamos falar de arte e não de comércio o marketing. Se bem que seja quase a mesma coisa, mas não é.
Artista Fabian Ciraolo, chileno etc. Dados: Fiquei com preguiça de procurar.




E eu que sou quase artista, vivendo na borda desse mundo, penso que este trabalho é uma tentativa de alto nível da... terceira divisão. Nem sei como cheguei a conhecer: tem adolescente demais no mundo. E não importa se eu sou ou deixo de ser artista; Estou falando aqui como público e consumidor, crítico, falador e falastrão do assunto.

Diria que a receita, pegar icones que já foram trabalhados e inculcados na massa, e reutiliza-los é um ótimo gancho, mas nada original. Dessacralizar e ofender os ícones, também nada original. Usar qualquer coisa com teor udigrudi, marginal, corroído, sujo, criminalizado, etc... menos original ainda.

Quero ver o cara mexer com gente grande que está viva e fodendo ferrando com o mundo e colocar o dele na reta pra produzir arte.

Original no trabalho dele é a composição com cores suaves, aquarelas que trazem sim uma contrapartida aos ícones sujos, tornando-os menos baratos e óbvios. Mas separando-se roteiro e texto de cores, vemos que a parte do argumento e texto é já passada. Dali fez isso décadas atrás, Marcel mais ainda. Só que naquela época todo mundo colocava a mão na boca e dizia "nossaaaaa que absurdo!" e abandonava a exposição. Pediam pra tirar do museu, da vitrine. Horrorizavam-se.

Porém, É MUITO FÁCIL FAZER ARTE DIGITAL.
Vou até postar aqui duas que eu fiz no Photoshop: Mona Lisa com celular e Dr. House na capa do Sex Pistols que fiz para poster da Urban Arts anos atras.

Dr. Pistols por Gabriel Ishida

Mona Lisa com celular por Gabriel Ishida
E o pai da irreverencia na arte clássica, Marcel Duschamp:






 

Hoje essas produções de Fabian são material para se estampar, como diria um companheiro num comentário em outro site... "estampar na camiseta". Eu chamo de ideologia adolescente, barata, "anticapitalista e antisistema", sem repertório.

Desse corolário ideológico, já nos cansamos, então ficam aí as imagens que são legalzinhas, mas que arte, nem tanto. Alguém pode vir aqui e falar "tá com inveja". Talvez, mas eu não pintaria esses temas porque já passei dessa fase ha uns... 15 anos. Agora tenho 39.... Feliz ele que está nessa fase com todo o restante do mundo até os 50 anos.

Dificil é fazer o que ninguém faz. Dificil é ofender falando a coisa certa, ofender quem deve ser ofendido, não quem já virou bottom. Então, arte, que se diga, nada.

Mas é legal, como repertório pra vc ver.
















Movie House III: Blade Runner´s Deckard apartment

Projeto de Frank Lloyd Wright, a Ennis Brown House localizada na avenida Glendower, n° 2607 em Silverlake, foi o set de locação para o apartamento do Deckard, um andróide desavisado que até então acreditava ser um mero humano matador de replicantes. Em 1982, quando acreditava-se que em 2012 o mundo americano seria um buraco cyberpunk.
O cenário é interessantíssimo. E segundo Ridley, a filmagem foi extremamente cansativa. Vide resultados...

Bem denominada anacrônica no filme, a casa Enis Brown tem, conforme podemos conferir, base asteca em sua composição. Porém isso fica totalmente cyberpunk, com tons de grandiosidade romana e eletrônica como circuitos e máquinas ainda hoje. Lembra Puma Punku.

Se bem que a casa seja muito maior que parece no filme, e muito mais arejada, o tom que deram de clausura neogótica esfumaçada, entulhada de objetos e memórias, criou uma base sensacional para o personagem cujo maior paradoxo era exatamente esse: a humanidade dos objetos, memórias, da música e do piano, e sua própria existencia.















27/07/15

Movie House II: Tron

Este é um outro projeto que dá prazer. Novamente, as texturas e a enorme assepsia do mundo eletrônico. Por outro lado, esta não poderia ser diferente já que foi concebida nos termos de um 3D, de dentro para dentro de uma máquina computacional. O render deriva do desejo Flynn, e concebido como se este fosse um deus aprisionado em circuitos, obriga a produção a forçar a artificialidade. 
O que encanta nesse cenário é o toque permanente vitoriano em diversos momentos para caracterizar a presença humana. 
Então, podemos deduzir que de certa forma, o que é humano é menos asséptico, e o que é mais desinfetado é menos humanizado?
A progressão da computação e as novas mitologias de base entrecruzadas, sobre a guerra das máquinas e seu domínio, apontam na direção de que o humanismo e a renascença (e vide a segunda renascença em Animatrix!) eram por definição a carne do homem e sua cultura, o tecido, as folhas e mecanismos de madeira, cordas e ferro batido, composições tão sujeitas quanto os walkers em Matrix, não passando de objetos rústicos e submissos.
A mitologia que aponta em direção ao domínio das máquinas e o ambiente que elas conformam parece ser algo dominante no hemisfério norte, e por conseguinte, contaminando as mentes burocratizadas e materializadas do hemisfério sul: emergentes e o acrílico.
O rústico, em alguns lugares, volto a dizer, é valorizado agora por uma parcela reduzida que compreende o problema, mesmo que sem perceber. Virou objeto de desejo, é chic, é caro. O artesanal é caro.

E a produção da máquina não tem tanto valor porque máquina não é gente, não tem vida ali.

A casa de Flyn em Tron encanta. Mais ainda ou principalmente porque ela deseja ser como do lado de fora: desejaria ter poeira.

Ela se desdobra, deleuzianamente, dos paredões dos padrões de cristal simples em sua estrutura atômica, para texturas rústicas padronizadas com caos super matemático. A mente humana é simplista e se apega a isso. Os grandes planos em branco e luz provam.